Aproxima-se a Páscoa! Tal é o pensamento que domina e influencia fortemente a liturgia deste 4o. Domingo da nossa caminhada Quaresmal e o torna um dia de alegria, ocupando um lugar especial no Ano Litúrgico. Neste domingo o sacerdote troca o roxo rigoroso pela alegria dos paramentos róseos, os altares são ornados com flores, o som do órgão se faz ouvir e todos os textos têm um tom alegre. A Santa Missa é iniciada com um grito de alegria: “LAETARE” – Alegre-te! Mas, quais são os motivos de alegria da Igreja?
Primeiro, nos tempos antigos, o jejum pascal só começava em Roma no dia posterior a este domingo, sendo assim, o domingo de hoje, era como se fosse uma espécie de “carnaval”. Mais tarde, quando a Quaresma ganhou a duração de quarenta dias, tornou-se este domingo um descanso das austeridades quaresmais.
O Santo Padre com paramentos róseos, no Domingo Laetare.
Segundo, a Igreja antiga se alegrava por causa dos catecúmenos, cujo renascimento espiritual era iminente: era a alegria maternal da Igreja!
Terceiro, este domingo é uma Páscoa antecipada: não podemos conter a alegria da espera! O Evangelho, outrora lido neste dia, dava essa conotação: “Erat autem proximum Pascha…” (Io, VI, 4) – Estava próxima a Páscoa. Também, devido a esta passagem do evangelho que fala da Multiplicação dos Pães, dava-se a este domingo um tom eucarístico, “uma antiga Festa de Corpus Christi”. O Cristo está para fundar sua família; é ao preço de seu Sangue que Ele nos obtém nosso pão quotidiano; esse pão deve ser um fruto de sua Paixão; é o que nos indica o Evangelho acima mencionado. Neste ano, a Leitura do Evangelho nos apresenta o célebre diálogo do Senhor com Nicodemos (cf. Jo III, 14-21):“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.” A alegria que brota da Cruz nos conduz à Vida!
Basílica de "Santa Cruz em Jerusalém", em Roma (em italiano: Santa Croce in Gerusalemme, latim: Sanctae Crucis in Hierusalem). Foi edificada pela imperatriz Santa Helena, segundo piedosa tradição, sobre terras vindas de Jerusalém. Nesta venerável igreja (uma das sete principais de Roma) encontram-se as sagradas Relíquias da Cruz do Senhor.
Para compreender este dia litúrgico é importante ainda termos em mente a “igreja estacional”, isto é, a igreja onde os antigos cristãos de Roma celebravam este dia sagrado. Hoje, iam em solene procissão à célebre basílica de “Santa Cruz de Jerusalém” – uma das sete principais igrejas de Roma. Na antiguidade dizia-se simplesmente “Jerusalém”. Aos olhos dos cristãos de Roma, essa igreja era símbolo da Jerusalém messiânica (a Igreja) e da Jerusalém celeste. No dia de hoje, os catecúmenos eram, por assim dizer, introduzidos solenemente na Jerusalém da cristandade. A igreja da estação exerceu uma grande influência sobre o formulário da Missa desse domingo. Ainda hoje os cânticos do introito e da Comunhão falam de Jerusalém. Também o Salmo Responsorial de hoje (Sl. 136), alude à Jerusalém. Outrora era cantada o Salmo 121: Que alegria quando ouvi que me disseram, vamos à casa do Senhor, e agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas”. A igreja da estação de hoje deve lembrar aos cristãos que têm uma boa mãe, a Santa Igreja. Hoje deveríamos ler em letras de ouro, no pórtico de nossa igreja paroquial: JERUSALÉM, NOSSA MÃE!


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