Leitura do Livro do Apocalipse de São João:
19aAbriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a Arca da Aliança.
12,1Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
3Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. 4Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse.
5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
6aA mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
10abOuvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos 44
— À vossa direita se encontra a rainha,/ com veste esplendente de ouro de Ofir.
— À vossa direita se encontra a rainha,/ com veste esplendente de ouro de Ofir.
— As filhas de reis vêm ao vosso encontro,/ e à vossa direita se encontra a rainha/ com veste esplendente de ouro de Ofir.
— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ “Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
— Entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real.
Segunda leitura (1º Coríntios 15,20-27a)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.
21Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos.
22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força.
25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte. 27aCom efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Evangelho (Lucas 1,39-56)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam.
51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia,55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.
56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.
Homilia
E disse Maria: “Enaltece minha alma ao Senhor. E meu espírito encheu-se de gozo no Deus, meu Salvador”. O Magnificat constitui um louvor em alta voz. Louvor de agradecimento a Deus, que é Senhor e Salvador. Um grito de ação de graças por um benefício recebido. Neste hino de louvor, a Virgem Maria vê antecipadamente a ação salvífica divina. A razão é: “Porque fixou seu olhar na insignificância de sua escrava. Eis pois que a partir de agora chamar-me-ão ditosa, todas as gerações”. Fixou seu olhar significa observar, prestar atenção.
A primeira razão da ação de graças é, pois, a natureza transcendental ou divina de quem provém a eleição traduzida em benevolência: Deus. A segunda, é a pequenez pela qual Ele se deixou conquistar, pois escolheu um ser insignificante como é uma escrava. É por isso que todas as gerações a chamarão bendita, ou seja, privilegiada de Deus.
“Porque fez para mim grandes coisas o Poderoso já que é sagrado seu nome”. O Poderosoera um dos títulos com os quais os judeus substituíam o nome “santo”. É com esse nome, – o Poderoso – que Jesus responde à conjura de Caifás (cf. Mt 26,64). Só que nesta última circunstância, usa-se o substantivo “poder”. Sem especificar quais eram essas coisas, Nossa Senhora termina com louvor dedicado a esse nome que era sagrado: já que Seu nome é sagrado. Isso pode significar que não pode ser pronunciado e que poderíamos traduzir por seu nome é único como divino. Sem dúvida que a base das grandes coisas feitas pelo poder divino era a maternidade especial de Maria, da qual Isabel era testemunha por intermédio do dom de profecia, por obra do Espírito Santo de Deus.
“Pois a misericórdia d’Ele se estende, de geração em geração, para os que O temem”.Vemos aqui a Misericórdia Divina, que é infinita, perdura de geração em geração. O amor com que se ama a um desvalido ou necessitado para ajudá-lo transpassa os limites de uma geração.
A Santíssima Virgem Maria oferece uma definição da atuação divina que vale a pena considerar: Deus é misericórdia para os que O respeitam. Respeito e reverência que se traduz em obediência às leis de modo escrupuloso. A misericórdia é um ato de amor correspondente a quem se inclina ao mais fracos para ajudá-los e consolá-los. Esta é a linha geral que Maria descobriu em Deus, pela escolha particular de sua pessoa.
“Fez força no seu braço: desbaratou os arrogantes de pensamento no íntimo de seus corações”. Para melhor entender o versículo poderíamos traduzir: Seu braço mostrou-se poderoso ao desbaratar os arrogantes de pensamento no íntimo de seus corações. O arco dos poderosos é quebrado; os debilitados são cingidos de força (cf. 1 Sm 2,4), pois aos poderosos Ele rebaixou dos tronos e exaltou os de humilde condição. Aos famintos cumulou de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.
Neste ponto a Virgem Maria segue o Salmo 107,9 e o cântico de Ana: Os que viviam na fartura se empregam por comida. Os que tinham fome não precisam trabalhar (cf. 1 Sm 2,4-5). Nossa Senhora acompanha a política de Jesus nas bem-aventuranças, de modo especial vemos isso na redação de Lucas: Benditos os famintos… Ai de vós os saciados agora (Lc 6).
“Deus olhou e abraçou Israel, seu filho, para se recordar da misericórdia como falou aos nossos pais, Abraão e à sua prole pelos séculos” (Gn 17,7).
Maria permaneceu com Isabel por três meses e voltou a sua casa [a Nazaré]. Sem dúvida que era o tempo que faltava para que Isabel desse à luz seu filho e Maria, consequentemente, ficou com sua prima até o momento do nascimento de João. Assim, se explicam os detalhes do mesmo: de que Lucas é narrador e Maria, sem dúvida, a testemunha.
Os Evangelhos deveriam ser relatos de salvação, referidos a fatos e ditos de Jesus. Mas esse relato de hoje tem como protagonista Maria. Ela é a figura central, já que o Filho ainda era um feto que ela carregava no seio e dependia totalmente dela. Isso nos indica que Nossa Senhora está unida intrinsicamente ao Filho na história da nossa salvação. A devoção especial que a Igreja dedica a Santíssima Virgem Maria tem como base esse relato de Lucas. Ela tem parte em nossa salvação como Mãe do Senhor.
Maria Santíssima é mais do que a arca do Senhor, a qual Davi humildemente recebeu maravilhado (cf. II Sm 6,9). Ela é a Mãe do Senhor. Recebê-la como visita é um favor que nos iguala a Isabel. E escutar o Magnificat é entrar dentro dos planos da Providência Divina para encontrarmos um alívio em nossa pequenez e insignificância. Não em nossos méritos, mas nessas circunstâncias – aparentemente desfavoráveis – encontraremos a bondade divina expressa em misericórdia.
No nosso mundo, em que a maternidade parece estar fora de moda, o encontro entre as duas futuras mães é um toque de gozo e esperança, como a renovação da vida que sempre é acompanhada de penalidades, mas que, indubitavelmente, termina em feliz regeneração.
Isabel, como profeta de Deus, dá a Maria o título máximo que a representa ao povo de Deus: “Quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” Mãe do Senhor, que o Concílio de Éfeso expressou em termos mais filosóficos como Theótokos, que o povo aclama como Mãe de Deus. Venerá-la e recorrer à sua intercessão é seguir as linhas mestras propostas por Lucas em seu Evangelho.
Isabel a proclama como modelo entre as mulheres. Não é querendo tronos que estaremos na mira da misericórdia divina, mas sentindo nossa insignificância que veremos Sua bondade refletida como favor e benevolência em nossas vidas.
FONTE: WWW.CANCAONOVA.COM

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