sábado, 23 de abril de 2011

Esperamos por tua vinda! – Reflexão para a Sexta-Feira Santa




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Tudo está consumado (cf. Jo 18,30). A Paixão e Morte de Jesus Cristo inundam o coração dos crucificadores em toda terra... “Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o Espírito” (cf. Mt 27,50). Por volta das três da tarde isso aconteceu, e “imediatamente a cortina do santuário rasgou-se em duas partes, de alto em baixo; a terra tremeu e as pedras se partiram” (cf. 27, 51). A terra foi coberta pela escuridão do pecado e da culpa...

Jesus, o servo fiel de Deus, foi injustamente condenado, enquanto os milhares de pecadores andavam tranquilos pelas tumultuadas ruas das cidades governadas por Pôncio Pilatos. O Filho de Deus tornou-se, então, protagonista da História, perpassando os séculos e chegou aos nossos dias com um rosto, não de sofredor, mas sim, ornado de glória externa e passageira, glória essa que ele mesmo a condenou. Vemos a imagem distorcida, deturpada e domesticada daquele que foi preso, condenado, crucificado, morto, tudo isso pela remissão de nossos pecados, e depois ressuscitado. Cumpriu-se a profecia. O Cristo, que deveria ser humilhado diante dos homens. Quanto sofrimento! O justo foi condenado pelos injustos. E a escuridão que cobriu a terra há dois mil anos é a mesma que cobre, hoje, a terra. Somos convidados a tomar as dores do Cristo e padecer com ele!
altAs igrejas do mundo inteiro – principalmente nas Sextas-feiras Santas –, ficam repletas de católicos, nem todos ativo-praticantes, contudo, pelo mesmo motivo: a culpa e o medo. O contentamento, na maioria das vezes, passa pela mente dos fiéis. Durante o ano litúrgico, a Igreja, muitas vezes fica às moscas. Porém, na Sexta-feira Santa, na Páscoa, no Natal e nas festas dos padroeiros, o vazio é preenchido. Será que somos obedientes como Jesus? (Façamos uma reflexão!). “Jesus Cristo se tornou obediente, até a morte numa cruz; pelo que o Senhor Deus o exaltou e deu-lhe um nome muito acima de outro nome” (cf. Fl 2,8s). Possamos também nós, sermos obedientes; o barro na mão do oleiro, para sermos moldados conforme a sua santíssima vontade.
Novamente: “Tudo está consumado” (cf. Jo 18,30). Completou-se o tempo do sofrimento, agonia e angústia; a absolvição foi total. Sejamos cristãos fervorosos seguindo os passos de Jesus Cristo na via-sacra; deixemos nosso coração ser crucificado para o pecado e ressuscitado para Deus, para que possamos participar com Ele da Vida Eterna, junto aos anjos e santos no céu.
Todavia, somos como os ladrões que foram crucificados com Jesus, muitas vezes. Pois quando rezamos, somos abrasados e tentados por esse pensamento: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres como Rei” (cf. Lc 23,42). Esperamos, no entanto, a resposta: “Eu te asseguro: ainda hoje estarás comigo no paraíso” (cf. Lc 23,43). Não pensamos no Paraíso de Deus, porém, o paraíso da comodidade, do dinheiro, do lucro... não é? Esperamos ter uma vida sem sofrimentos e dificuldades, contudo, deixamos de olhar para um sinal/arquétipo de entrega total a deus e a humanidade por nós; tomou o aspecto humano e venceu a morte: “Jesus nazareno, o rei dos judeus”, como o rebatizaram.
Por conseguinte, não é o fim! A escuridão que, novamente cobre o céu da Sexta-feira Santa deve ser motivo de reflexão, para os cristãos e cristãs e para todos. Jesus de Nazaré, te pedimos que nos conduzas até a páscoa da ressurreição. Tome nosso ser, nesse dia de tristeza e decepção. Esperamos por tua vinda!


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